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11/07/2008 - 23:30 - Atualizado em 12/07/2008 - 19:51

 

 

"Não conte que traiu"

Segundo terapeuta americana, nem quem deseja continuar com o parceiro nem quem quer abandoná-lo deve revelar o adultério. Thiago Cid

 

 

 

ÉPOCA - O seu livro é sobre pessoas boas que traíram. Quando uma pessoa boa trai, existe sempre um motivo nobre por trás, como autoconhecimento?

Mira - Não podemos ter a idéia que pessoas boas fazem apenas coisas boas e pessoas ruins, apenas coisas ruins. Todos fazemos coisas ruins e isso não significa que sejamos pessoas más. As pessoas boas traem quando não estão felizes no casamento. Elas estão confusas, oprimidas, e ter um caso é uma forma de trazer alívio àquela situação sufocante.

ÉPOCA - E o que são pessoas boas?

Mira - São aquelas que tentam ao máximo fazer as coisas certas. Elas erram, mas se arrependem verdadeiramente quando fazem alguma coisa ruim. Com a minha experiência clínica, sei que as pessoas boas são aquelas que estão realmente horrorizadas com a dor que causaram. Não tiveram um caso porque não ligam para o parceiro, mas porque estavam agoniados. Já uma pessoa ruim não se importa com a pessoa que machucou. Ela só faz o que vem à cabeça, seja lá qual for o custo para os outros.

ÉPOCA - Um caso breve é diferente de um longo?

Mira - Na minha opinião, quem mantém um caso longo não é pior do que quem trai por apenas uma noite. Não existem regras para apontar o que é mais ou menos grave. O que importa é que foi cruzada a barreira do trair ou não trair. Se o seu parceiro se sentiria mais machucado se soubesse que você teve um caso longo, não cabe a mim opinar a respeito. Também não posso dizer que a traição de apenas uma noite não é tão grave assim. O que posso afirmar é que você não pode dizer às pessoas que as duas traições são diferentes. Cada um lida da sua forma com o fato.

ÉPOCA - Quais seriam os limites da traição de uma pessoa boa?

Mira - O motivo é o aspecto crítico. Trair só porque está afim, sem nenhuma preocupação com os sentimentos do parceiro, está muito além do limite.

ÉPOCA - A senhora afirmou que uma das piores coisas para uma pessoa que traiu é a culpa. Mas ela não é um sinal de remorso?

Mira - Ter culpa é bom até um certo ponto. É um sinal de que a pessoa tem norteadores morais. Se você não se sentir culpado após trair, você pode ser um sociopata, alguém incapaz de se importar com os outros. Mas cegar-se pela culpa pode ser muito prejudicial. Pode levar as pessoas a fazerem coisas que não ajudarão. Como, por exemplo, se sentir tão culpado por trair e por isso permanecer no casamento mesmo que ele esteja claramente morto. Ou, então, sentir tanta culpa e não conseguir encarar o parceiro, mesmo que o casamento possa e deva ser salvo. Quando o sentimento de culpa o torturar, não ceda à tentação de contar sobre o affair. A melhor coisa a fazer é procurar um conselheiro sábio e experiente para ajudar a controlar os sentimentos e evitar atitudes precipitadas.

ÉPOCA - O sentimento de fazer algo errado e secreto estimula as pessoas a trair?

Mira - Para algumas pessoas isso pode ser excitante, mas não para a maioria. Na maior parte dos casos, as pessoas estão sufocadas, desesperadas, e podem fazer qualquer coisa. Por isso traem e correm tantos riscos.

ÉPOCA - Relacionamentos abertos são considerados adúlteros? Podem ser saudáveis?

Mira - Um relacionamento aberto não é adultério se realmente for uma escolha mútua verdadeira. Eu, pessoalmente, nunca vi um relacionamento aberto dar certo.

ÉPOCA - Muitos casais só se descobrem verdadeiramente com a convivência diária após o casamento e percebem que as expectativas são diferentes. Como salvar uma relação em que as necessidades dos parceiros são diferentes?

Mira - Com terapia conjugal. É a melhor maneira para casais com problemas conjugais encontrarem seu caminho de volta um para o outro. Sem mediação, os casais não conseguem sair de uma relação ruim, mesmo que eles próprios sejam terapeutas. Odeio ter que dizer que é a única maneira, mas não pode ser feito sem ajuda profissional. É como o trabalho de uma parteira: pode dar certo, mas há muitas maneiras de as coisas darem errado.

ÉPOCA - A senhora disse que cerca de 47% dos homens casados e 35% das mulheres casadas estão propensos a se envolver com outra pessoa. Essa taxa era diferente décadas atrás?

Mira - A grande mudança é a quantidade de mulheres traindo. Elas estão traindo mais. Isso ocorre porque agora elas têm mais oportunidade de trair: estão morando nas cidades e tendo vidas independentes. A natureza humana e a oportunidade são dois fatores determinantes nas taxas de adultério. A natureza humana é a mesma, elas agora têm a oportunidade. Mas se você quer mencionar números importantes, eu diria que há 50% de chance de uma pessoa ser afetada por uma traição durante sua vida afetiva. Como cada um reagirá a isso? É uma coisa terrível, mas que somos obrigados a lidar. Para piorar a situação: como você lida com a possibilidade de pegar uma doença com a traição? Por isso eu digo: não traia, por mais que em alguns casos a traição traga benefícios.

ÉPOCA - Como a traição é vista culturalmente?

Mira - Não existe cultura onde a traição não seja condenada. A diferença está na percepção dos aspectos mais importantes. Em algumas culturas, o mais importante é como a traição é vista pelas outras pessoas. É uma questão de vergonha. A vergonha vivida diante dos olhos da comunidade. Isso está enraizado na cultura mediterrânea, na cultura árabe. Alguns países muçulmanos ainda apedrejam as adúlteras. O que importa é a maneira como você é visto pela sociedade. Em outras culturas, a cultura ocidental principalmente, o conceito de traição está mais ligado à confiança, à capacidade de confiar em outra pessoa para construir algo em comum, à sensação de que a outra pessoa esconde segredos de você. Claro, as coisas não são pretas ou brancas (oito ou oitenta). O pesadelo de todos que conheço que foram traídos é a possibilidade de a comunidade descobrir e, daí, ter de lidar com a piedade deles ou com a sensação de fracasso e inferioridade. Mas a grande diferença multicultural é o senso de qual é o fator predominante.

ÉPOCA - Como a senhora vê os casos de Bill Clinton (ex-presidente americano que teve um caso com uma estagiária da Casa Branca) e Elliot Spitzer (ex-governador de Nova York que saiu com uma prostituta)?

Mira - Todos me perguntam sobre Spitzer. Mas não posso falar sobre a relação das pessoas a não ser que eu as tenha tratado. Não seria ético. O que aprendi em meus 33 anos de prática clínica é que o que você do lado de fora é muito diferente do que se passa por dentro. As pessoas encenam sua vida afetiva e mostram aquilo que querem. Creio que consigo ver com mais facilidade o que se passa dentro das pessoas, mas ainda assim sou consciente de que o que vejo é apenas uma versão. Não fui terapeuta dessas pessoas e o que sei está nos jornais. E assim como há comentários falsos sobre meus livros, sei que foram publicadas muitas coisas equivocadas sobre os dois.

ÉPOCA - A senhora já traiu? Como se sentiu depois?

Mira - Nunca. Sou incapaz de machucar alguém. Não estou me gabando, é a maneira como meu sistema nervoso foi construído. Mas meu marido teve um caso e eu fiquei arrasada. Senti na pele o terrível dano que a traição provoca. Desperdicei muito tempo e me machuquei muito presa à idéia de que ele era uma pessoa ruim. Com o tempo, percebi que ele era o homem bom que sempre conheci. Eu também não estava isenta de culpa no caso. Estava tão voltada para o meu trabalho que me afastei de meu marido e o fiz pensar que eu não ligava para ele. Teria nos ajudado muito se, em vez de brigar, tivéssemos nos esforçado para compreender o que o levou a me trair. Fizemos esse exercício de compreensão depois e estou muito orgulhosa.

ÉPOCA - E o que a senhora aconselharia a quem descobriu que o parceiro andou traindo?

Mira - Não faça ou diga nada em um primeiro momento. Acredito em amor verdadeiro e acho que uma relação amorosa pode ser recuperada. Por isso, ache uma pessoa sensata para conversar a respeito. Pense sobre o que você quer: você quer esta pessoa de volta se existir alguma maneira de perdoar e reconstruir a confiança? Depois entenda por que seu parceiro teve um caso. O motivo ajudará você a entender exatamente o que vocês dois devem fazer para melhorar o relacionamento.

 

Comentários:

MA / São Luís | 15/07/2008 13:51 Não Vale a Pena Trair
A orientação da escritora para com o relacionamento conjugal, é bastante perigoso e sem volta.O ato de um conjuge trair seu companheiro para se redescobrir causará feridas que dificilmente sicatrizaram.Muitos de nós se dizem cristãos mais não buscamos a verdadeira orientação vinda do nosso Pai Eterno.JESUS CRISTO nos ensina que o único motivo de permitido de separação é o adúterio . Daí vemos a gravidade da infidelidade conjugal.(Mateus 19.3-9)

SE / Aracaju | 15/07/2008 10:57 Concordo plenamente!
Concordo plenamente com a autora. A traição pode sim ser um ato que gere arrependimento suficiente para fazer com que o traidor reconheça a importância do traído. Trair, às vezes, é uma necessidade inevitável (por isso ela se referir a acidente).

MG / Belo Horizonte | 15/07/2008 10:27 Contar que traiu é uma tremenda idiotice!!!
Eu acredito que o melhor é não trair, principalmente se você está com alguém de quem gosta de verdade, pois, mesmo que você não conte, a verdade pode vir a tona e você pode correr o risco de perder a pessoa amada. Agora se por acaso acontecer, o ideal é não contar nada nem pro parceiro e nem pra outras pessoas. O que a relação ganharia com isso? Apenas a desconfiança e a dor do parceiro que poderia levar o casamento ao fim.

 

é

rebro, Watsn. O reane de im é um mero apêndice”                   

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